Em audiência da CDH realizada em Brasília, presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos/ DF) , profissionais integrantes de orgãos da segurança, do judiciário e da administração pública do poder Executivo buscaram contribuir por meio de uma análise do cenário atual, considerando as possibilidades de modificações e as alternativas capazes de agilizar a articulação entre as instituições envolvidas no combate ao desaparecimento de crianças e adolescentes.
O @ccdesap expõe nesta postagem o relato de 5 convidados, participantes da reunião do CDH realizada em 2 / 3 / 2026. São destacadas as principais partes de cada apresentação, tomando por base motivação, ações, estruturas, objetivos e resultados dentro do campo de atuação de cada representante dos órgãos competentes Veja abaixo:
Tiago Kalkmann - Defensor Público do Distrito Federal
Iara Buoro Sennes - Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)
Célio Roberto Araújo - Comandante Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Maranhão
Ederson Martins - Delegado Geral Adjunto Operacional da Polícia Civil do Maranhão
André Luiz de Souza Cruz - Gestor Técnico do Ministério Público do Estado Rio de Janeiro
AVISO
Atenção! Luciene Torres, presidente da ONG Mães Virtuosas do Brasil e mãe de Luciane Torres da Silva, desaparecida em 2009, no Rio de Janeiro, fará uma palestra sobre o desaparecimento de pessoas no dia 7 de março. O evento será às 10 horas, no edifício Viseu em Campo Grande, zona oeste da cidade. O endereço é rua Aurélio de Figueiredo, 40, sala 401.
A seguir: PARTE 3 - RELATO DOS CONVIDADOS E FAMILIARES
"Familiares de crianças desaparecidas também participaram do debate. Marize Araújo, mãe de Edson David, desaparecido aos 6 anos no Rio de Janeiro, questionou a eficácia das investigações. Denunciou depoimentos falsos e afirmou que autoridades se recusaram a ouvir testemunhas. Disse que os responsáveis pelo processo investigativo não quiseram apurar a participação de uma provável sequestradora".
Em 2/3/2026, Comissão Permanente dos Direitos Humanos e Legislação Participativa realizou a 7ª reunião Extraordinária. A audiência pública, presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos / DF), teve como pauta casos de desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil, os instrumentos nacionais de prevenção, investigação e localização, além da articulação entre os órgãos de segurança pública, o sistema de justiça e as políticas de direitos humanos. Rio e Janeiro, Pará - região do Marajó - e Maranhão foram os estados focados.
Entre os convidados, presenciais e via teleconferência, estavam O comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Maranhão, Célio Roberto Araújo, o delegado geral adjunto operacional da Polícia Civil do Maranhão, Dr. Ederson Martins, o Defensor Público do DF, Dr.Tiago Kalkmann, o gestor técnico do Ministério Público do Rio de Janeiro, André Luiz de Souza Cruz, além de outros representantes ligados a órgãos competentes no que diz respeito a desaparecimento infantil. Todos buscaram contribuir, explanando acerca dos respectivos campos em que atuam. Opinaram sobre o que precisa ser modificado, acrescentado ou corrigido no contexto das articulações entre as instituições envolvidas para desencadear melhores resultados.
Familiares de crianças desaparecidas também participaram do debate. Marize Araújo, mãe de Edson David, desaparecido aos 6 anos no Rio de Janeiro, questionou a eficácia das investigações. Denunciou depoimentos falsos e afirmou que autoridades se recusaram a ouvir testemunhas. Disse que os responsáveis pelo processo investigativo não quiseram apurar a participação de uma provável sequestradora. Ela precisou contratar um investigador para provar que o filho não se afogou na praia da Barra, conforme apontava a investigação da DDPA/RJ. A esperança desta mãe é a federalização do caso.
Marinete Moraes Lopes, avó de Elisa Ladeira Rodrigues, desaparecida no Pará aos 2 anos, é outra familiar de criança desaparecida que participou da reunião. Emocionada, expôs como a neta desapareceu e pediu ajuda às autoridades no que diz respeito às investigações. Um suspeito foi preso e depois morreu. Somente este homem sabia o que aconteceu com Elisa. O caso não está na delegacia de Anajás, cidade do Marajó, conforme informou o escrivão. No MP de Anajás um oficial de justiça avisou à família que encerrará as investigações. Alegou que o desaparecimento já tinha 3 anos. A esperança pelo retorno da menina ganhou mais força através de uma foto. Elisa foi vista no Maranhão. Diante de uma pista do paradeiro de Elisa, Marinete disse: "Eu sinto que a minha neta está viva".
A apresentação de referenciais distintos por parte das instituições envolvidas é classificada pela senadora Damares Alves como uma "não unificação de dados". Ela expôs que os casos registrados em 2024 variam, segundo constatou uma avaliação da Comissão de Segurança do Senado, considerando a Política Nacional de Busca por Pessoas Desaparecidas. Enquanto o Fórum Brasileiro de Segurança registrou 83 mil desaparecimentos - indica um aumento de 4,9% -, o SINALID contabilizou 103 mil ocorrências. Acrescente ainda as subnotificações. O desencontro de informações se estende ao Ministério da Justiça, ao Disque 100 e à Secretaria de Segurança de Estado. É urgente a reorganização do sistema, viabilizando, pelo menos, o entendimento parcial da situação. No atual cenário, as famílias de desaparecidos convivem com inúmeras suposições, quando anseiam somente por uma resposta certa.
Qual a probabilidade de Carlos Ramires, Luciane Torres da Silva e Wesley Pires Alves Filho serem localizados e retornarem ao convívio familiar? Todas estas ocorrências de desaparecimento já ultrapassaram com bastante margem o limite de 72 horas, tempo de referência das investigações para a obtenção de pistas que venham a indicar o provável paradeiro de uma criança desaparecida. Porém há casos de desaparecimentos infantis que são concluídos com êxito após um longo período. Na China, por exemplo, um pai reencontrou o filho desaparecido há mais de 50 anos. O garoto havia sumido em uma estação de trem. Histórias como esta comprovam que independente da passagem de tempo, a esperança em ter de volta um filho desaparecido é válida, embora as adversidades desta experiência desumana levem a um pensamento contrário.
CARLOS RAMIRES - Desaparecido desde o dia 2/8/1973, Carlinhos tem o paradeiro ignorado até os dias atuais. Ele foi arrebatado em casa. Um homem invadiu a residência e levou o garoto que assistia à TV com a mãe e os irmãos. O sequestro ocorreu no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. É certo que a possibilidade de localizar Carlinhos tende a diminuir com o passar do tempo, mas as expectativas por novas pistas existem. Informações que não vieram a público podem vir à tona e ajudar na conclusão do caso. Vale destacar que em meio à troca de acusações entre familiares, alguns destes preferiram manter o silêncio em relação aos questionamentos levantados acerca do desaparecimento do menino.
LUCIANE TORRES DA SILVA- Desaparecida desde o dia 30/8/2009. A menina, à época com 9 anos de idade, foi à padaria e não retornou para casa. Ela morava com a família em Nova Iguaçu, altura do km 32 da antiga Rio São Paulo. Luciane foi avistada por testemunhas na serra do Mendanha, acompanhada pelo estranho. Ele afirmava ser pai da menor, que estava chorando. As buscas pela região não encontraram vestígios da menor. Até cães farejadores foram utilizados. Existe a possibilidade da garota ter sido levada pelo sequestrador até um determinado local para ser repassada a outra pessoa.
WESLEY PIRES ALVES FILHO - Desapareceu em Franca, São Paulo, no dia 28/8/2020. Wesley saiu de casa dizendo que iria a um "varejão" próximo e não retornou. Câmeras de segurança registraram a passagem do menino pela rua em que morava. Aparentemente tudo estava normal. Vários avistamentos de Wesley são relatados, mas nada foi comprovado. A possibilidade do menino ter saído por conta própria para viajar também é cogitada. Até a hipótese da morte dele foi levantada, mas nenhum corpo foi encontrado. Após 2 anos, o paradeiro de Wesley é um mistério.
Os desaparecimentos de Carlos Ramires, Luciane Torres da Silva e Wesley Pires Alves Filho causaram abalos significativos nas respectivas famílias. O arrebatamento de uma criança do convívio familiar resulta em traumas psicológicos irreversíveis. Apenas quem vive esta experiência desumana tem ideia da gravidade da situação, ainda mais quando o familiar com paradeiro ignorado é uma criança. Neste cenário, a mãe é a pessoa mais atingida.
MARIA DA CONCEIÇÃO RAMIRES DA COSTA - MÃE DE CARLINHOS
Após ter o filho de 10 anos arrebatado dentro de casa por um invasor, em 2 agosto de 1973, Maria da Conceição Ramires da Costa vivenciou conflitos familiares. O casamento com João Mello, que chegou a ser preso devido ao desaparecimento do filho, terminou. A última informação sobre Maria da Conceição é que ela, mesmo com o passar dos anos, assegura que a família do ex-marido foi responsável pelo sumiço de seu filho. No decorrer dos anos, mais de 10 homens vieram a público afirmando ser Carlinhos, mas os exames de DNA provaram o contrário.
LUCIENE P. TORRES - MÃE DE LUCIANE TORRES DA SILVA
Luciene P. Torres persiste até hoje na busca pela filha, desaparecida em 30 de agosto de 2009. Apesar das investigações terem sido encerradas, ela acredita que irá reencontrar a filha. O engajamento de Luciene na causa dos desaparecidos resultou na ONG Mães Virtuosas do Brasil. Através desta entidade ela ajuda familiares de pessoas desaparecidas, prestando assistência psicológica, realizando atos públicos ligados à causa, além de atuar na localização de crianças e pessoas desaparecidas em geral.
CAMILA ALVES - MÃE DE WESLEY PIRES ALVES FILHO
Em outubro de 2020, Camila Alves, mãe de Wesley Pires Alves Filho, desaparecido desde o dia 28/8/2020, em Franca / SP, expôs nas redes sociais o drama pelo qual estava passando, devido ao desaparecimento do filho. Ela dizia ser vítima do "julgamento" das redes sociais. Pessoas estranhas criticavam, sem conhecimento algum de causa, a criação que Wesley recebeu. Além disto, Camila sofria com vários trotes telefônicos. Várias informações falsas sobre o paradeiro de Wesley chegaram à família. Não bastasse a apreensão permanente em relação à integridade física do filho, a mãe estava sofrendo pressões externas em um momento de extremo desespero.
Os 3 casos de desaparecimentos envolvendo Carlos Ramires, Luciane Torres e Wesley Pires Alves Filho têm como ponto em comum, embora tenham acontecido em um espaço de tempo longo, as falhas nas investigações e a consequente não resolução dos casos.
CASO CARLINHOS
As falhas ocorridas no caso Carlinhos, desaparecimento ocorrido em 1973, teve várias lacunas não preenchidas no decorrer do processo investigativo. De certa forma, os erros neste caso são mais justificáveis, a partir do momento em que a polícia, sem estrutura alguma, estava lidando pela primeira vez com um caso até então inédito, que assumiu proporções elevadas no que diz respeito a apelo popular. O ponto alto das investigações foi o encontro entre a polícia e um suposto sequestrador, que pedia resgate para libertar o menino, tendo a imprensa presente no local marcado. O pai do garoto chegou a ser preso, acusado de envolvimento no sumiço do filho. Também vieram à tona acusações contra a mãe do menino desaparecido. O fato é que as investigações não chegaram ao responsável pelo sequestro de Carlinhos. Mais de 180 pessoas foram consideradas suspeitas. O paradeiro do menor, quase 50 anos depois, permanece ignorado.
CASO LUCIANE TORRES DA SILVA
As falhas no âmbito investigativo também estiveram presentes no caso Luciane Torres da Silva. A mãe da menina, Luciene P. Torres expôs em depoimento na CPI das Crianças Desaparecidas da ALERJ, em 2021, que ao dar parte do desaparecimento da filha, viu o delegado encarregado do caso priorizar o roubo de um carro. O sequestrador chegou a ser preso e posteriormente solto sob a alegação de falta de provas. A ficha do sequestrador chegou a ser trocada. O investigado era loiro de olhos claros, mas a foto apresentada foi de um suspeito negro. As investigações foram encerradas e serão reabertas mediante autorização do MP, caso surja uma nova pista indicando um provável paradeiro da menina, hoje uma jovem com pouco mais de 20 anos.
CASO WESLEY PIRES ALVES FILHO
As investigações acerca do paradeiro de Wesley Pires Alves Filho também não tiveram êxito. Familiares chegaram a fazer protestos em frente à delegacia, na cidade de Franca, mas a dúvida sobre o destino do garoto após sair de casa permanece. Desde agosto de 2020, várias versões chegaram à família do garoto. Notícias acerca da suposta morte do menor, passando pela possibilidade de uma viagem, além de vários relatos de avistamentos foram algumas das hipóteses levantadas. Até então, nada foi confirmado. O caso permanece sem solução.
O mês de agosto, chegando ao final, é marcado por 3 desaparecimentos de crianças: Carlos Ramires da Costa, Luciane Torres da Silva e Wesley Pires Alves Filho. Os casos, ocorridos em épocas diferentes, um intervalo de mais de 40 anos entre o sumiço mais antigo e o mais recente, tiveram repercussão nacional e ainda permanecem em aberto. O @ccdesap publicará postagens especiais sobre estas ocorrências até o dia 29.
CASO CARLINHOS
Carlos Ramires da Costa, o Carlinhos, assistia com a família à novela Cavalo de Aço, quando a casa em que moravam no bairro de Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, foi invadida por um homem. Ele cortou a energia e em meio à escuridão levou o garoto de 10 anos para destino ignorado. O sequestro ocorreu em 2/8/1973. O caso é marcado por trocas de acusações entre familiares e por falhas no processo investigativo. No decorrer dos anos, vários homens vieram a público afirmando ser Carlinhos. Os exames de DNA comprovaram que nenhum deles era o menino. Há quase 50 anos, o paradeiro de Carlinhos é ignorado.
CASO LUCIANE TORRES DA SILVA
Em 30/8/2009, Luciane Torres da Silva foi à padaria comprar pão. A menina, à época com 9 anos, não retornou para casa. Ela foi arrebatada por um homem. Testemunhas viram a criança acompanhada pelo sequestrador na Serra do Mendanha. Os relatos expõem que Luciane chorava enquanto o estranho, descrito como um maltrapilho, afirmava que era seu pai. A partir daí, a menina não foi mais vista. O desaparecimento aconteceu na antiga Rio - São Paulo, KM 32, Nova Iguaçu. As investigações foram encerradas. Apenas novas pistas que apontem um provável paradeiro da menina, hoje com 22 anos, viabilizariam a reabertura do caso.
CASO WESLEY PIRES ALVES FILHO
Wesley Pires Alves Filho saiu de casa no dia 28/8/2020. Ele seguia para um "Varejão" próximo. Câmeras de segurança registraram a passagem do menino de 13 anos pelas ruas do bairro Jardim Aeroporto em Franca /SP, mas não revelaram o que aconteceu posteriormente. O paradeiro do menor é ignorado há 2 anos. Testemunhas dizem ter avistado Wesley em vários lugares como Serrana, Ribeirão Preto e Grande São Paulo, mas nenhum relato foi confirmado.
Desaparecida desde o dia 8 de maio, a menina Isabela Lima Mendes Amaral, 10 anos, continua com o paradeiro ignorado. As buscas pela criança foram interrompidas em 22 de maio. O fato preocupou o pai da menina, Ademar de Souza Mendes, que havia prestado depoimento na Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (DEACA). Ele fez vários apelos nas redes sociais, solicitando a retomada dos trabalhos.
A Polícia Civil do Estado do Pará não tem previsão para concluir o caso. Isabela foi avistada pela última vez ao lado do padrasto, Eliezer Almeida Amaral, principal suspeito de assassinar a mãe da menina, Gleiciane Lima , a golpes de marreta. Eliezer morreu atropelado no dia 11 de maio.
Na postagem anterior do @ccdesap, abordando o caso de Isabela na postagem BUSCAS POR ISABELA SÃO INTEROMPIDAS NO PARÁ , foi destacado que a linha de investigação da polícia considera que a menina possa estar em cárcere privado ou morta. Os trabalhos serão retomados, caso venha à tona uma nova pista. Informações sobre o paradeiro de Isabela devem ser repassadas ao número (91) 181.