"Gabrielle Hébia , 13 anos, desapareceu hoje de madrugada em Maricá. A informação foi transmitida ao @ccdesap pelo Instituto Mães Virtuosas do Brasil e foi ratificada em publicação nas redes sociais da Fundação Para Infância e Adolescência, (FIA), divulgando o desaparecimento da menor. Por volta das 16 horas, a notícia da localização da garota chegou ao conhecimento deste blog".
Gabrielle Hébia , 13 anos, desapareceu hoje de madrugada em Maricá. A informação foi transmitida ao @ccdesap pelo Instituto Mães Virtuosas do Brasil e foi ratificada em publicação nas redes sociais da Fundação Para Infância e Adolescência,(FIA), divulgando o desaparecimento da menor.Por volta das 16 horas, a notícia da localização da garota chegou ao conhecimento deste blog.
Não há maiores detalhes sobre circunstâncias do desaparecimento deGabrielle e nem esclarecimentos sobre a localização. Em situações como esta, o ideal é preservar a criança envolvida e a família. Trata-se do direito à privacidade.
A relação da menina com os familiares não foi comentada, mas a criança, em determinados casos, deixa o lar , devido à desavenças. O representante da FIA, Luiz Henrique, declarou ao jornal O Dia: "Observamos que a questão é muito mais social do que de segurança pública. Não há um rapto. A estatística, ao longo dos 25 anos de programa, mostra que na maioria dos casos foi identificado conflitos familiares, resultando em fuga".
É importante ressaltar que a Região dos Lagos já teve mais 4 desaparecimentos de adolescentes abordados aqui no @ccdesap. O primeiro ocorreu em 2017. Os outros 3 sumiços aconteceram em 2021. Até então, nenhum deles foi solucionado. A ocorrênciade Gabrielle Hébia é a única envolvendo uma menina, entre os casos citados. Trata-se do quinto desaparecimento na área, sendo o terceiro desaparecimento em Maricá. Felizmente ela foi localizada com vida. Um final feliz que o @ccdesap deseja a todas as famílias que têm uma criança desaparecida.
"O Instituto Mães Virtuosas do Brasil anunciou um evento pela causa das crianças desaparecidas em Nova Iguaçu, município do Rio de Janeiro. A ação social será no Jardim Paraíso, Km 32, no dia 18/7/2021, das 9:30 às 14 horas".
O Instituto Mães Virtuosas do Brasil anunciou um evento pela causa das crianças desaparecidas em Nova Iguaçu, município do Rio de Janeiro. A ação social será no Jardim Paraíso, Km 32, no dia 18/7/2021, das 9:30 às 14 horas.
O objetivo é expor à sociedade o que é a causa das crianças desaparecidas, de maneira que as mães dos menores com paradeiros, até então, ignorados, contem suas histórias, desde a ausência dos filhos, passando pelas incertezas nos trabalhos de busca e localização, incluindo os problemas psicológicos, além das consequências negativas no contexto familiar.
Este evento é uma grande oportunidade, pois as atividades de rua realizadas pelo Mães Virtuosas foram prejudicadas pela pandemia. Os encontros mensais feitos em frente à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro (CMRJ) foram suspensos, impedindo o contato direto com o público. Daí relevância do evento em Nova Iguaçu, que viabilizará, pelo menos em parte, o retorno desta interação com as pessoas, bastante significativa para a causa.
Luciene Pimenta Torres, presidente do Instituto Mães Virtuosas do Brasil, declarou ao @ccdesap que pretende incluir material impresso nas ações de rua. No contato mais recente, ela disse que está providenciando este conteúdo para o evento do próximo 18 de julho. Assuntos como a CPI das Crianças Desaparecidas, o Alerta Pri e a proposta que visa tornar o desaparecimento infantil um crime são pontos relevantes que as mães devem levar ao público, buscando apoio para a causa que defendem.
"Hoje eu digo a vocês. Primeiro passo, que é muito importante. Transformar o desaparecimento em crime, porque ele é um crime blindado, invisível. Ele é um crime. Eu posso afirmar a vocês". Ela também acrescentou: "Na delegacia, eles já sabem que não é um crime. É um fenômeno. Então eles, com todo o respeito, não tão nem aí".
A terceira reunião da CPI das Crianças Desaparecidas, realizada no dia 1/7/2021, na ALERJ, teve a participação marcante das mães que buscam uma resposta sobre o desaparecimento de seus filhos. Entre os depoimentos colhidos pela comissão, destacou-se a explanação de Helena Elza de Figueiredo. Ela expôs como reagiu à situação de ter uma filha, de apenas 9 anos, arrebatada do meio familiar, sendo abusada e assassinada no ano de 2006. Falou sobre as consequências da ausência e comentou o descaso das autoridades, desde o registro do boletim de ocorrência, passando pelo processo investigativo, até a liberação do corpo da criança para o sepultamento.
O descaso das autoridades foi um ponto comum presente nos relatos de todas as mães. A Lei da Busca Imediata - 11259/05 - não é cumprida, fato que retarda ainda mais o início das investigações, acarretando em uma perda de tempo relevante. Segundo o depoimento de Helena, esta desobediência à lei, por parte das autoridades, é uma rotina nas delegacias de todo o Brasil, porque o desaparecimento não é considerado crime. Trata-se de um fenômeno. Deste modo, a polícia não se vê obrigada a investigar o caso imediatamente.
Raptos são abordados como desaparecimentos. A prova disto é o caso de Luciane Torres da Silva. A menina tem o paradeiro ignorado desde agosto de 2009, quando tinha 9 anos de idade. Foi levadaà força por um homem no momento em que seguia para uma padaria próxima de casa, no município de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Testemunhas avistaram na Serrinha, em Campo Grande, o sequestrador, homem branco de olhos azuis, acompanhando a criança. Ele dizia ser pai garota, que estava chorando muito. Luciane, mesmo diante dos relatos que confirmam o rapto, é considerada desaparecida.
Trazendo a situação para o cenário proposto por Helena, acerca de um novo ponto de vista a respeito dos casos de desaparecimento, a atitude adotada pela polícia em relação à ocorrência de Luciane seria outra, a partir do momento em que o contexto incluísse um crime, não um fenômeno. O caso não seria relegado a segundo plano, como ocorreu na época, quando o delegado priorizou o roubo de um carro, conforme relatou Luciene Pimenta Torres, mãe da menor. Por isto é necessário transformar o desaparecimento de crianças em crime. Uma declaração de Helena durante o depoimento na CPI deixa bem clara a urgência: "Hoje eu digo a vocês. Primeiro passo, que é muito importante. Transformar o desaparecimento em crime, porque ele é um crime blindado, invisível. Ele é um crime. Eu posso afirmar a vocês". Ela também acrescentou: "Na delegacia, eles já sabem que não é um crime. É um fenômeno. Então eles, com todo o respeito, não tão nem aí".
"Yanka Mikaelly, 16 anos, desapareceu em João Pessoa, na Paraíba, dia 5 de julho. Ela deixou a casa, no bairro de Paratibe, sem levar pertences. Carregou apenas o celular".
Yanka Mikaelly, 16 anos, desapareceu em João Pessoa, na Paraíba, dia 5 de julho. Ela deixou a casa, no bairro de Paratibe, sem levar pertences. Carregou apenas o celular. Conforme foi registrado pela câmera de segurança de um vizinho, a menina saiu `as 9:12, seguindo para local ignorado. Não há sinais de Yanka, a não ser a última visualização de uma rede social e um telefonema no qual ela disse aos familiares que não voltaria ao lar, conforme mostra uma reportagem do G1.
Tudo indica que Yanka saiu de casa, devido a conflitos familiares. Trata-se de uma das principais causas de desaparecimento infantil no Brasil. Os pais proibiram adolescente de utilizar o celular, segundo relato da família. Portanto o sumiço é uma represália da menina. Infelizmente o ato impensado, fruto da impulsividade da jovem, pode colocar a vida dela em risco, a partir do momento em que a exposição na rua, diante das circunstâncias descritas, pode resultar em situações que, no mínimo, ameacem a sua integridade física.
A família, desesperada, espera por respostas. Caso alguém tenha visto Yanka em algum lugar ou tenha informação a respeito do paradeiro da menor, avise o mais rápido possível pelo 181 ou 190. Os números (83)98727-0811 - contato Karolynne Bezerra, tia de Yanka - , (83) 98617-8433 e (83)98835-4320 também estão abertos para quem trouxer aos familiares dados que levem à localização da menina.
O @ccdesap não teve acesso aos procedimentos da polícia em relação ao caso. O andamento das investigações, o surgimento de pistas que indiquem um possível paradeiro de Yanka ou ações, por meio de buscas, que levem à localização da menor desaparecida não foram trazidos a público. O Boletim de Ocorrência foi registrado com o número 05411.2021.0.00.704. O caso também foi divulgado nas redes sociais. Perfis voltados para o tema "desaparecidos", como o Instituto Mães Virtuosas do Brasile o grupo União de Vítimas, abordaram o desaparecimento Yanka em suas respectivas páginas.
"O Comitê Internacional da Cruz Vermelha(CICV) lançou no dia 6 de julho, o relatório"Ainda? Essa é a palavra que mais dói", uma exposição do sofrimento das famílias que têm um ente querido desaparecido. O documento traz a público os dados da "Avaliação das Necessidades de Familiares de Pessoas Desaparecidas em Contexto de Violência e Outras Circunstâncias no Estado de São Paulo".
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) lançou, no dia 6 de julho, o relatório"Ainda? Essa é a palavra que mais dói", uma exposição do sofrimento das famílias que têm um ente querido desaparecido. O documento traz a público os dados da "Avaliação das Necessidades de familiares de Pessoas Desaparecidas em Contexto de Violência e Outras Circunstâncias no Estado de São Paulo". O objetivo é viabilizar a divulgação mais ampla das consequências destes desaparecimentos em todo o Brasil, além de mostrar, através deste trabalho, que todos os elementos estão interligados, de maneira que ações efetuadas dentro de um determinado ponto venham a influenciar nos demais. Esta ligação direta torna um acerto ainda mais relevante, pois uma rede sistêmica tende a ampliar o resultado das ações. Porém caso seja tomada uma atitude errada, a correção será muito mais difícil.
Entre os participantes, estavam especialistas do CICV, familiares de pessoas desaparecidas, autoridades que atuam nos casos e entidades ligadas à causa dos desaparecidos. Os diálogos destacaram as consequências dos desaparecimentos no meio familiar, a mudança que a situação traz no cotidiano dos envolvidos e que respostas mais efetivas podem ser dadas em relação a estas ocorrências, tendo como base a avaliação de necessidades dos familiares de pessoas desaparecidas, através de dados coletados no estado de São Paulo, em 2018. Vale destacar que embora o relatório tenha sido elaborado tendo como referência informações de São Paulo, estado com maior número de pessoas desaparecidas no Brasil, as observações existentes no documento podem ser estendidas ao restante do país, de maneira que as particularidades de cada região sejam consideradas e seus parâmetros seguidos, viabilizando uma visão mais ampla acerca do assunto.
Alexandre Formisano, chefe da Delegação Regional do CICV, fez uma breve apresentação do relatório, após Rita Palombo, coordenadora de proteção da Delegação Regional do CICV, abrir o evento. Em seguida, Fabrício de Souza, membro do Programa de Pessoas Desaparecidas e suas Famílias em SP/CICV, fez uma explanação sobre a metodologia utilizada na organização do documento. Posteriormente familiares de pessoas desaparecidas foram entrevistados. As ações de busca por conta da família, as expectativas de respostas e as consequências na saúde física, mental e psicossocial foram citadas. Também foi reconhecida a importância de um atendimento híbrido a quem possui um ente querido desaparecido. O endereçamento das questões objetivas relativas à busca da pessoa desaparecida, citado anteriormente por Larissa Leite, coordenadora para o Programa de Pessoas Desaparecidas e Suas Famílias CICV, e uma assistência psicológica acrescida de uma escuta acolhedora e ativa foram considerados por Renata Reali, coordenadora do Programa de Saúde Mental e Atenção Psicossocial do CICV, essenciais na assistência às famílias
Daniel Mamede, membro do Programa de Pessoas Desaparecidas e suas Famílias em Fortaleza / CICV, abordou a necessidade de reconhecimento, tratamento igualitário e justiça. O diálogo fluiu naturalmente para as necessidades jurídicas e administrativas, desaguando em um assunto bastante delicado: a declaração de morte presumida. Fabrício de Souza destacou que a morte presumida vai de encontro ao interesse dos familiares , que desejam encontrar o ente querido, acreditam que ele está vivo, porém diante de entraves burocráticos do cotidiano, inclusive nas esferas jurídica e administrativa, são obrigados a recorrer a esta alternativa. Por isto a declaração de morte presumida é vista como um documento conflitante. Há um simbolismo muito significativo, a partir do momento em que a pessoa desaparecida é dada como morta. Portanto não é uma solução recomendável. Uma declaração de que a pessoa está desaparecida se encaixaria melhor no cenário, mas não existe este status jurídico.
A última necessidade abordada foi a econômica. A abordagem do tema ficou ao encargo de Diego de Castro, integrante do Programa de Pessoas Desaparecidas RJ / CICV. Ele mostrou como o desaparecimento de um familiar gera impacto econômico negativo na vida das pessoas. Há investimentos em ações de busca - mães já venderam panelas para arrecadar dinheiro para o processo de busca dos filhos -, geração de dívidas, casos de desemprego e ainda a redução da renda familiar causada pela perda do apoio econômico por parte do desaparecido, quando este trabalha e tem dependentes diretos. A ausência do provedor transfere a responsabilidade do sustento a outros integrantes da família, além de trazer dificuldades relacionadas ao pagamento de dívidas, acesso à contas bancárias e dificuldades para vender algum bem pertencente à pessoa que tem o paradeiro ignorado.
"Lilian Lima comparece semanalmente à Secretaria de Segurança Pública da Bahia, esperando alguma resposta por parte das autoridades. O fato é que o acesso às informações ligadas ao processo investigativo é negado".
A Polícia Civil do Estado da Bahia enviou um relatório a Lilian Lima, mãe do menino Davi Lima da Silva, 11 anos. O documento expôs que os trabalhos de busca foram encabeçados por homens do CORE e da Polícia Civil da Bahia, apoiados por drones e helicópteros do Graer. Também foi utilizado um cão farejador dos bombeiros, que não encontrou vestígios do corpo da criança na região. A falta de pistas, apesar dos esforços das equipes de resgate, indica que a possibilidade do garoto ter sido levado por um carro é bastante viável. O texto foi encerrado com a observação de que todas as testemunhas já foram ouvidas e que as investigações correm sob sigilo.
Se as afirmações do relatório policial procedem e todas as testemunhas foram ouvidas, certamente entre os interrogados está o homem que afirma ter escutado gritos de socorro na mata, região de laje da Cruz, no mesmo dia em que Davi desapareceu. A questão é que não foi confirmado se o fato estava ligado ao sumiço da criança, pois não há a confirmação de que a pessoa em apuros era Davi. A testemunha não visualizou quem estava gritando e até então a polícia não divulgou ter encontrado algum sinal do menino na área citada.
Davi saiu da casa de uma tia para visitar a avó, em 28/3/2021, mas não chegou ao destino. O desaparecimento de Davi, ocorrido no povoado de Varzinha, zona rural de Itiúba, foi assunto da postagem "Davi Lima da Silva: Menino de 11 anos Desaparece na Bahia", publicada em 7 de junho. O paradeiro do menor permanece ignorado. A informação mais precisa é o relato de um vizinho que avistou a criança próxima a uma serra. Um par de sandálias encontrado nas buscas indica que o garoto passou pelo local.
Se as afirmações do relatório policial procedem e todas as testemunhas foram ouvidas, certamente entre os interrogados está o homem que afirma ter escutado gritos de socorro na mata, região de laje da Cruz, no mesmo dia em que Davi desapareceu. A questão é que não foi confirmado se o fato estava ligado ao sumiço da criança, pois não há a confirmação de que a pessoa em apuros era Davi. A testemunha não visualizou quem estava gritando e até então a polícia não divulgou ter encontrado algum sinal do menino na área desta ocorrência.
Lilian Lima comparece semanalmente à Secretaria de Segurança Pública da Bahia, esperando alguma resposta por parte das autoridades. O fato é que o acesso às informações ligadas ao processo investigativo é negado. A Secretaria de Segurança argumenta que não divulga os dados, pois a investigação, conforme destacado no relatório policial enviado à própria Lilian, é sigilosa. Deste modo, os familiares ficam sem saber o andamento da apuração do caso. Esta situação é comum em todo o Brasil. Mães de crianças desaparecidas relatam que não recebem ligações da polícia ou
"A CPI das Crianças Desaparecidas, em sua terceira reunião ordinária, ouviu, no dia 1/7/2021, as mães de menores que estão com o paradeiro ignorado. Luciene Pimenta Torres, Lúcia Helena Fernandes, Flávia Cristina Nunes, Neli Adriana da Silva e Helena Elza de Figueiredo da Silva foram as mães que compareceram à reunião".
A CPI das Crianças Desaparecidas, em sua 3ª reunião ordinária, ouviu, no dia 1/7/2021, as mães de menores que estão com o paradeiro ignorado. Luciene Pimenta Torres, Lucia Helena Fernandes, Flávia Cristina Nunes, Neli Adriana da Silva e Helena Elza de Figueiredo da Silva foram as mães que compareceram à reunião. O convite também incluiu as mães dos 3 meninos de Belford Roxo, porém elas não puderam comparecer, devido a um compromisso na DHBF, delegacia que está à frente das investigações do desaparecimento das crianças.
A deputada Renata Souza (PSOL), vice-presidente da comissão, presidiu a reunião. O presidente, deputado Alexandre Knoploch (PSL), estava ausente. Ele foi à DHBF, acompanhando as mães dos meninos de Belford Roxo. Também estava presente na reunião da CPI o relator, deputado Danniel Librelon (REP), que ressaltou em suas considerações iniciais a "triste realidade" vivenciada pelas mães que ali se encontravam e dirigiu-se a elas dizendo: "Quero cumprimentar a todas e fazer, também, com que através dessa CPI a voz de cada uma das senhoras aqui presentes venham a ser ouvidas e que possamos também entender de que forma nós possamos traçar metas, objetivos, através da CPI, para auxiliar todas as mães que necessitam do nosso apoio".
Luciene Torres, presidente do Instituto Mães Virtuosas do Brasil, mãe de Luciane Torres da Silva, 8 anos, desaparecida em 2009, foi a primeira convidada a depor. Ela expôs a falta de dignidade com a qual foi tratada pelo delegado encarregado do caso. Disse que ele priorizou o roubo de um carro, deixando em segundo plano o desaparecimento de sua filha. Também citou o não cumprimento da Lei da Busca Imediata - 11259/05 - , destacando que esta não foi cumprida no caso dos 3 meninos desaparecidos em Belford Roxo. A subnotificação de pessoas desaparecidas foi outro ponto incluído na explanação de Luciene. Os mais 84 mil desaparecidos, registrados oficialmente, são apenas parte de um universo estimado em mais de 100 mil pessoas com o paradeiro ignorado. O relato foi encerrado com um apelo pela implantação do Alerta Pri.
Além de Luciene Torres, as outras mães também expuseram aos deputados o drama pelo qual passam. As palavras de cada uma delas foram ao encontro do relato de Luciene, no que diz respeito ao descaso das autoridades, considerando as investigações e as dificuldades para apurar os desaparecimentos, devido à lentidão e à falta de empenho por parte dos encarregados em apurar o que, de fato, aconteceu nas ocorrências envolvendo crianças e adolescentes desaparecidos. Estes pontos comuns em todos os casos de desaparecimento de menores foi comentado por Lúcia Helena Fernandes, mãe de Lucas Fernandes, desaparecido em 2015, aos 16 anos. Ela disse: "...relatos de mãe que são a mesma coisa, não muda. Sabe? A gente escuta outras mães, mas é sempre a mesma coisa".
Helena Elza de Figueiredo da Silva contou o seu drama aos membros da comissão. Em 2006, teve a filha de 9 anos sequestrada, abusada e morta. Investigou por conta própria o desaparecimento da criança, diante da orientação da polícia para que ela encontrasse novas pistas. Hoje o sequestrador está preso. A situação mexeu com o psicológico de toda a família. O relato foi semelhante aos fatos descritos pelas outras mães. Porém Helena levantou uma possibilidade importantíssima para a causa dos desaparecidos. Propõe que o desaparecimento seja visto como um crime, conforme afirmou na CPI: "Hoje eu digo a vocês. Primeiro passo, que é muito importante. Transformar o desaparecimento em crime, porque ele é um crime blindado, invisível. Ele é um crime. Eu posso afirmar a vocês". Ela também acrescentou: "Na delegacia, eles já sabem que não é um crime. É um fenômeno. Então eles, com todo o respeito, não tão nem aí".